Não somos escritores. Mas de tempos em tempos, inspirados em nossos mestres maiores, escrevemos.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Tempestade Noturna e o escrever poesia

TEMPESTADE NOTURNA

Na fria madrugada chove
Das pesadas e negras nuvens
que pairam nos meus olhos
Temporal
Raios e trovões chamuscam
Minha violenta mente insana
Trovoada
Minha cabeça biruta balança
ao rafalhar do fortes ventos
da minha respiração ofegante
Vendaval

Era a profunda noite negra
vendaval
trovoada
temporal
e trevas

Mas a madrugada predestina a matina
o azul no firmamente como herói
surge cavalgando no horizonte
afugentando o fantasma da escuridão
logo o choro cessa
restam olhos avermelhados
é o arrebol
é a aurora no oriente
sinalizando um dia melhor
trazendo a esperança renascente

. .
.

Antes que alguém leia e fique se indagando, o Vargas anda meio mal? Ele anda meio "deprê"? Ai vai a resposta: Não. Pois aí esta um dos mistérios da poesia. Muitas vezes escrevemos sobre nós mesmos libertando nossos sentimentos no papel alheio, exorcisando aquele sentimento ímpio que nos era encosto. Às vezes esse sentimento é bom. Algo que esta dentro de nós e é agradável, é opilante e nosso altruístico sentimento faz com que queiramos compartilhar com todos as sensações que também sentimos. Nesses casos o que jogamos no papel vem de nosso próprio sentimento. Entretanto quem escreve não necessariamente escreve por si. Toma por empréstimo o sentimento alheio, do próximo, ou até mesmo não o toma de ninguém. Cria-o, somente para o fim da poesia, uma fantasia. Escreve sobre algo que não existe, sobre alguém que não esta entre nós. Dissimula estados, sentimentos, pensamentos, ações, dissimula tudo. Escreve mentiras.

Mas será que a poesia é informativa? Qual sua função, de informar ao leitor sobre como vai autor? Sim. Quem é que escreve não querendo se expor? Pois, ora, não necessariamente sentimos, ou vivenciamos o que escrevemos, mas se escrevemos é porque aquela idéia esta em nós. Nem que seja somente como poesia. Como tentativa de belo. Portanto, quem escreve não necessariamente sente ou vivência aquilo que põe no papel, no entanto, aquilo que ele põe no papel tem de vir de algum lugar, e é de dentro, quando não de cima. Por mais que o poeta não esteja sentindo, mas aquilo passou pela cabeça dele antes de ir para fora, e ele tem aquilo então como pensamento. Eu não estou necessarimente triste, nem mesmo é madrugada, muito menos chove. Agora a idéia sim, e o sentimento poético da chuva, da melancolia, da noite, estes estão presentes em mim e agora exteriorizados.

Findo minha explanação citando aquele que resumiu o sentimento de todos que escrevem:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

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Jonas Vargas

sábado, 4 de abril de 2009




OS ASTROS (I)



Quando eu deitei, da minha cama

Eu enchergava estrelas

Algumas estrelas

Da paupérrima noite citadina

Adormeci Feliz

Não mais as veria enquanto dormia

Mas tinha certeza

Que elas sim,

A noite inteira

Estariam ali me olhando.

Durmi tranquilo

A noite das estrelas

A noite dos anjos

Anjos estelares.
. .
.
De fato, meu apartamento novo para onde me mudei faz um mês me propiciou a beleza de poder ir dormir olhando estrelas. Embora sejam poucas, no entanto, por se tratar de Porto Alegre tenho que me dar por satisfeito. Demanhã, quando acordei com o sol na cara a primeira coisa que me veio à cabeça foi esse escrito. Confirmando mais uma vez minha idéia de que os poemas tem vida própria, apenas nos usam como meios para se manifestarem nesse mundo. Não quero tirar o méritos dos escritores, poetas e artistas em geral, pelo contrário, não são todos que têm a capacidade de ser um vetor poético. Quero dizer apenas, que a poesia não vem de dentro para fora, mas sim de cima para dentro e então para fora.
Isso eu chamaria de Inspiração.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Com licença...

..."Criou-me desde menino
Para arquiteto meu pai,
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-se arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!"

Como posso eu pensar em escrever se mestres como tu consideram-se menores? Se tu pedes perdão, o que eu devo pedir? Bandeira, por mais que a humildade seja virtude, pense nos outros que virão futuramente a escrever. Deixe os títulos Menores para os realmente menores! Assim, te peço licença e tomo teu título tendo em vista que ele não é para ti, e sim para mim. Eu sou escritor menor.
Sou aprendiz.